Últimas Notícias

ESTADO DE ALAGOAS

Arapiraca – Índios de várias etnias bloquearam, ontem, rodovias federais em Alagoas para protestar contra uma portaria do governo federal que municipaliza a saúde indígena. Os bloqueios fazem parte de um movimento indígena nacional, que se manifesta também contra a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 241, que limita os gastos públicos em áreas como Saúde e Educação.


Os protestos em Alagoas tiveram início por volta de 6h da manhã e foram realizados em três pontos da rodovia BR-101, nos municípios de Joaquim Gomes, São Sebastião e Porto Real do Colégio, e também a rodovia BR-423, no município de Delmiro Gouveia. Os bloqueios provocaram vários congestionamentos, mas aconteceram de maneira pacífica. No município de São Sebastião, os casos considerados “prioridade”, como ambulâncias e veículos que transportavam idosos e pessoas doentes, tinham permissão de atravessar o bloqueio.


Por volta das 16h30, o protesto em Delmiro Gouveia foi encerrado. Nos outros pontos, no entanto, até o início da noite os índios continuavam bloqueando a pista, de acordo com informações da Polícia Rodoviária Federal.

De acordo com a cacique Rosicleide Karapotó Terra Nova, que integrava o bloqueio no município de São Sebastião, além de Alagoas, nos próximos dias, índios de outros estados também irão interditar rodovias federais para chamar a atenção do governo federal e do Congresso. “Estamos, hoje, lutando por direitos que já haviam sido conquistados no passado. Não estamos nos manifestamos porque queremos algo que não é do nosso direito. O que queremos é manter nosso direito à saúde diferenciada. Este governo, que está querendo acabar com tudo que ajuda os pobres, quer também tirar o direito dos índios”, reclamou.


Segundo ela, uma portaria do Ministério da Saúde retirou a autonomia da Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai), o que, na prática, de acordo com a cacique Rosicleide, vai provocar o fim das equipes de saúde indígena, fazendo com que os índios busquem atendimento médico nas unidades de saúde municipais. “Essa decisão afeta todos os índios porque nós temos uma saúde diferenciada, que respeita nossa cultura e tradições. A gente precisava de melhorias na saúde, mas eles querem acabar com o nosso direito, que foi conquistado com muito esforço por líderes que vieram antes de nós”, declarou.


Fonte: Gazeta de Alagoas

Nenhum comentário