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quarta-feira, 13 de junho de 2018

Marcelino Vieira RN: O proselitismo e o gospel ostentação

Na incansável busca por um bálsamo para as dores do corpo e os tormentos da alma, o sagrado, como um milagre, se manifesta para muita gente, como a grande “tábua de salvação”. Com os olhos no Altíssimo e ignorando suas responsabilidades terrenas, reais e concretas, vivem esperando a redenção na morte, diante de uma vida medíocre, sob o olhar míope e equivocado, sobre aquilo que depende de cada um e não, do além!

Diante da “incapacidade” crítica e racional, de encarar as consequências dos próprios atos, como fruto inconteste das próprias ações, arcando com o ônus, como deve ser, o resultado não poderia ser outro, a não ser, o eterno inconformismo.

Desde tempos remotos, o homem tem olhado cada vez mais para o céu e, quase sempre, esquecido de olhar para o chão ou para o próprio umbigo. Olhar um pouco mais para onde pisa, para a realidade, o trabalho, as transformações, as ações pessoais e cotidianas, a solidariedade, a honestidade, os tropeços típicos de cada um e uma visão menos simplista, responsabilizando – Deus ou o Diabo – como ação do sagrado ou do destino, castigo ou maldição, únicos responsáveis pelos sucessos ou os fracassos da humanidade! Parece cômodo e conveniente, muita gente esperando do além, o que de fato deveria ser feito por cada um.

Numa espera diária por um milagre e de “boca aberta escancarada esperando a morte chegar”, muitos oportunistas de plantão, apropriam-se do suor de terceiros, para viverem no ócio, na “Graça” do trabalho alheio. Com um discurso proselitista e uma vida inteira em busca de recompensa. Como se ajudar alguém e ser correto, só se justificasse pelo fato de que seria recompensado.

Os canalhas adeptos da enganação, agem pela fé, amor ou banditismo “aceitável”? Inúmeros líderes religiosos – das mais diversas vertentes – que deveriam estar presos e não falando em nome de Deus! Quem sabe, um estágio no inferno, já que falam mais no diabo, que em Deus! Alguns – até parecem que foram feitos de um barro diferente –, tem se tornado verdadeiros “pop star”; programas de rádio, TV, outdoor e o mais novo filão do mercado fonográfico, televisivo e arquitetônico, o estilo Gospel ostentação! A idolatria, o luxo, a ganância que criticam tanto em uns, é personificada na pessoa de alguns líderes arrogantes e gananciosos. Se autodenominam “apóstolos, bispos” – entre outras inúmeras designações – e usam seus templos como espaço para propaganda e promoção pessoal. Fazendo de religiões, seitas, igrejas, denominações, verdadeiros redutos e currais de ricos, num celeiro de grandes multinacionais da “Fé”, exemplo, leilões com garrotes, carneiros e até moto.

Defendem fervorosamente, a “Teologia da Prosperidade” e a grande transformação na vida financeira de seus fiéis ou seguidores, estabelecendo uma relação promíscua entre religião e ostentação. Com o eterno discurso proselitista, de amor, paz, fraternidade, tolerância, perdão, o que na prática, se traduz em algo muito distante do que se apregoam por aí em igrejas, mesquitas, sinagogas, basílicas, catedrais e outros redutos “sagrados” repletos de luxo, para falar de algo tão simplório, que em tese, não deveria ser pago. Falam de profetas e figuras “sagradas”, humildes e que viveram tão distantes da riqueza material, tão desejada por seus seguidores. Que fazem da fé e da desgraça alheia, um lucrativo e atrativo negócio! Criticam uns aos outros e ao mesmo tempo, agem da mesma forma.

As religiões, fizeram de Deus e seus mandamentos ao longo da história, algo ironicamente, contraditório. Não gerou amor ou união, e sim, ódio, discórdias e guerras homéricas. Como disse Gandhi, “amo o cristianismo, mas odeio os cristãos, pois não vivem segundo os ensinamentos de Cristo”, salvo algumas raríssimas exceções, é claro. Bem como também, em outras religiões não cristãs!
As Cruzadas medievais nos séculos XII e XIII, entre cristãos e muçulmanos; a “Noite de São Bartolomeu” em 1572, na França, entre católicos e protestantes; o “Domingo Sangrento” em 1972, na Irlanda do Norte, entre católicos e protestantes; os Atentados de 11 de setembro de 2001, nos Estados Unidos, entre muçulmanos e o mundo cristão-judaico; as Guerras Árabes-israelenses, entre judeus e muçulmanos; as ações pavorosas e abomináveis do Boko Haram na Nigéria, com o injustificável massacre de cristãos; o fundamentalismo do Estado Islâmico, com a carnificina de não-muçulmanos sunitas e as decapitações de cristãos coptas, são algumas das indigestas ideologias, que fomentam lamentáveis episódios históricos, sob a égide da religião, foi e é indevidamente usada como pano de fundo para a barbárie e a insanidade de alguns “religiosos”.

A intolerância, o radicalismo, o fundamentalismo religioso, que fomentam o famigerado discurso de “amor e fé”! Ao final, tudo se “justifica” por ser uma “Guerra Santa”. E dentro deste universo de fanáticos estúpidos, matar ou morrer em nome de “Deus”, está justificado e perdoado! Qual guerra pode ser santa? Nada é mais estúpido que matar em nome de Deus! Alguns judeus, muçulmanos, cristãos, hindus e tantos outros, pregam o amor e a paz, e praticam o terror. Explícito ou velado, físico ou mental. Atuam como promotores, juízes e executores. Gostaria só de fazer uma ressalva, Adolf Hitler, também afirmava que estava a serviço do Criador. Talvez isto, justifique a inércia e a conivência do excelentíssimo senhor Eugenio Pacelli, o Papa Pio XII, diante da tragédia vivida pelos judeus, durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).

Outro paradoxo que é impossível não perceber – exceto os cegos pela ignorância e incapacitados mentalmente –, são os cada vez mais monumentais templos, que colocam seus verdadeiros fiéis, constrangidos diante de tanto luxo. Em nome de quê e de quem? Bancado e financiado por quem? Quanto do suor de cada fiel e trabalhador, são necessários, para construírem templos riquíssimos, Basílicas tão imponentes, Santuários suntuosos, para muitos que não tem nem onde morar? Outro dia, pela segunda vez, li nas escrituras que Cristo, por exemplo, nasceu numa manjedoura, era filho de um carpinteiro, era simples, humilde, não exigia nada de ninguém que desejasse segui-lo e condenou o comércio dentro do templo. Então, porque que alguns “cristãos” de hoje, precisam de templos tão suntuosos e se falam tanto em ofertas e doações? Nas minhas simplórias leituras, não percebi em Cristo, Maomé e tantos outros, enquanto líderes, o desejo desse estrelismo, tão amado, desejado pelos líderes religiosos de hoje! Fico imaginando, como seria uma “fotografia” gigante do rosto de Cristo na fachada de um templo! Em outras palavras, tem uns por aí, que preferem o marketing pessoal.

Será a obra de “Deus” ou de homens pretensiosos, que se apropriam da fé e das necessidades reais, materiais de algumas pessoas, com certa frequência, fracas, cegas e que buscam a redenção por intermédio de contribuições financeiras, que viram patrimônios de terceiros, e seus doadores, uma vida real muita das vezes de miséria, sofrimento e ignorância. Se ninguém é obrigado a nada, vão porque querem, contribuem porque querem, por que os pedidos por contribuições para a “obra” é um discurso obrigatório e persuasivo? No rádio, na TV, nos cultos, nas missas, são quase unânimes na barganha. Você doa, paga e sua vida mudará, a prosperidade baterá a sua porta, e seu lugar no paraíso, estará garantido! “Tem muita gente cantando como os anjos e mentindo como o diabo.” Buscam não pelo amor, mas pela dor! Apregoam um marketing na prosperidade material e mantendo a cegueira espiritual.

Tem mais igrejas por metro quadrado, que hospitais, escolas, museus, bibliotecas. Por que será? Religiosidade, fé, facilidades legais por parte dos órgãos fiscalizadores, lucros “filantrópicos”? Se isto fosse o bastante, a “Terra Santa” seria o paraíso! E o Brasil, não teria as mazelas e os canalhas que tem. E olha, sem trocadilho, há quem diga que “Deus é brasileiro”. Imagina se não fosse?


Penso, que mais educação, cultura, arte, esporte, informação, razão, transparência, respeito, tolerância, fiscalização, menos hipocrisia e cinismo, indiscutivelmente, ajudariam um pouco mais a transformar a realidade deste país. Ações ainda é o único caminho para as realizações! Partindo do princípio básico, que do suor do teu rosto, comerás o teu pão.

Portanto, penso que o que nos torna melhor, pessoas melhores, tolerantes, respeitosas, honestas, não é religião, mas sim, nosso caráter. Nossas atitudes e nossas ações! “Não adianta ir à igreja, rezar e fazer tudo errado.”

Falar, até papagaio fala!