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quinta-feira, 30 de novembro de 2017

2ª Mesa do Seminário Nacional: com a palavra, o professor-autor


O professor José Jilsemar da Silva já começou o ano se desafiando: escolheu uma turma desconhecida – e grande – para desenvolver um projeto de produção de artigos de opinião. Na efervescência da juventude, seus alunos do 2º ano do Ensino Médio da Escola Estadual Desembargador Licurgo Nunes, em Marcelino Vieira (RN), logo mostraram que queriam ter opinião formada sobre tudo e aderiram à ideia. O próprio nome do projeto “Epa! Cadê a opinião?” já nasceu em uma arena de discussão, em que um aluno discordou de outro e disse “Epa! Me respeite”. Vivências para aprender a dialogar e a ouvir diferentes pontos de vista não faltaram durante o processo. Aqui, o professor nos conta algumas façanhas, incluindo como transformou a falta de internet no ponto mais positivo de seu projeto.



“Quando descobri o Caderno da Olimpíada, em 2008, foi um divisor de águas na minha profissão. Até então, não tinha noção do que era trabalhar o texto com a funcionalidade dele no dia-a-dia. Ainda tinha aquela ideia de que no início de ano letivo você fala das férias. Lembro que eu, menino, metia bala a mentir nessas redações. Escrevia que andava a cavalo. Ali, eu andava a cavalo direto! Mas quando a gente conhece a Olimpíada, vê que a produção de texto tem algo de especial não em simplesmente ser diferente, mas em fazer a diferença na sua comunidade, na sua família, na sua escola. Falo muito isso para meus alunos, quando eu estudava, não tinha voz dentro da sala de aula. E eles hoje têm voz. Com todas as dificuldades que a gente enfrenta lá no chão da escola, a sistemática do Escrevendo o Futuro só tem nos engrandecido.

Nossa escola começou o ano com resultados muito negativos no Sistema Integrado de Monitoramento e Avaliação Institucional da Secretaria de Educação do RN (SIMAIS). Isso me preocupou demais. Mas, por outro lado, quando soube que éramos semifinalistas da Olimpíada e ouvi de um aluno ‘professor, vamos botar para quebrar’, aquilo me deu um ânimo muito grande! Solicitei à turma o que queriam discutir que tivesse a ver com o dia-a-dia deles. O que mais gerou polêmica foi a aprovação de 177% de reajuste salarial para o procurador geral do município, enquanto a cidade passava por um estado de calamidade financeria. Para aguçar o debate, solicitamos na Câmara de Vereadores uma audiência pública. Fomos prontamente atendidos. A turma mostrou capacidade argumentativa, preparo emocional e comportamental nessa situação.

Também trouxeram temas como união de casais do mesmo sexo, descriminalização do uso de drogas, aborto, assédio sexual, segurança pública e maioridade penal. Promovemos encontros nas mais diversas instituições do município sobre esses assuntos. Eles tinham que pensar nas perguntas, em como adequá-las para cada circunstância. Eram situações reais de uso da língua oral e escrita, que contribuíram de forma grandiosa para a construção de argumentos dos mais novos articulistas que estavam se formando.


Um aplicativo a serviço do saber

De antemão, eu já tinha em mente que trabalharia na esfera da argumentação, pois os alunos já estão se preparando para fazer o ENEM, no ano seguinte. Nada melhor do que começar a trabalhar artigos de opinião. Mas quando escolhi essa turma para realizar o projeto, estava colocando um desafio para mim. Não os conhecia e, num ambiente que comporta 30 alunos, há 45. E eu tinha que fazer com que todos se apropriassem do gênero. Tenho alunos de 15 a 17 anos, tanto de Marcelino Vieira como de municípios vizinhos, vindos da zona rural e da urbana. Alguns deles não têm contato algum com a internet. Mesmo em nossa escola, não há sala de computação nem ponto de internet. Tivemos que driblar isso pois o gênero artigo de opinião requer muita leitura.

Criamos um grupo de whatasapp onde cada um colocava o que pesquisava, depois, em casa ou outro local, baixavam esses links e os deixavam abertos para no outro dia poder ler em grupo, na aula, sem precisar estar online. O que no início talvez parecesse um problema, se transformou em um ponto muito positivo. Pelo grupo de whatsapp elaboramos as questões que levamos à Câmara. Também propus uma atividade, via whatsapp, que chamei de ‘Meu final de semana também é leitura’. Colocava lá alguma provocação, e eles tinham até 2ª feira para escrever algo. O whatsapp também nos ajudou no momento da escrita do artigo final. Mandava mensagem fazendo apontamentos sobre os textos deles e quando nos encontrávamos, alguns já traziam as modificações feitas.

Durante o processo, para as refações, juntava grupos de acordo com os diferentes temas, muitas vezes em horários paralelos. Com cada aluno, sentei em torno de 7 a 8 vezes. É como se eles tivessem construído 8 textos! Estamos em fase de término do projeto. Mas já temos belíssimos artigos. Nossa intenção é fazer a ‘1ª Coletânea de Artigos de Opinião da Escola Estadual Desembargador Licurgo Nunes’ e, num ato público, entregá-la à nossa escola, que tanto nos apoiou, às secretarias das outras escolas da cidade, à comunidade, principalmente às pessoas que contribuíram para o projeto. A turma apresentou grandes dificuldades, porém estava totalmente aberta para aprender. Se o homem fez uma máquina mais pesada que o ar voar, por que nós não conseguiríamos fazer nossos alunos produzirem textos – e textos muito bons?”




Assista ao vídeo da mesa que o professor Jilsemar integrou durante o Seminário Nacional Escrevendo o Futuro:




Fonte: www.escrevendoofuturo.org.br

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