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terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Em dois meses, Dilma teve 64 min na Globo, contra 90 segundos de Aécio

O PSDB decidiu medir o espaço dedicado aos presidenciáveis nos telejornais da TV Globo. Monitorou o ‘Bom Dia Brasil’, o ‘Jornal Nacional’ e o ‘Jornal da Globo’. Os tucanos ficaram de bico aberto com o grau de exposição da presidente-candidata Dilma Rousseff na emissora de maior audiência do país.
Nos últimos dois meses, constatou a legenda, as reportagens protagonizadas por Dilma ocuparam 64 minutos nos três telejornais da Globo. No mesmo período, as notícias estreladas pelo tucano Aécio Neves preencheram 1 minuto e 30 segundos. O noticiário envolvendo Eduardo Campos, opção presidencial do PSB, durou 8 minutos e 40 segundos.
É natural que Dilma apareça mais nos meios de comunicação. Da vitrine do Planalto, um espirro dela chamará mais a atenção das manchetes do que uma pneumonia dos rivais. Ainda assim, o PSDB espantou-se com a superexposição da candidata do PT. Atribui o fenômeno a atos de campanha camuflados na agenda da presidente como eventos oficiais.
Eduardo Campos roçou os 9 minutos na tela da Globo por causa do rebuliço provocado por sua aliança com Marina Silva, um fato de alta relevância jornalística. Aécio só não teve menos de um minuto porque virou notícia ao criticar a ação do ministro José Eduardo Cardozo (Justiça) no inquérito da PF sobre o cartel suspeito de fraudar licitações de trens e do metrô em São Paulo.
Foi contra esse pano de fundo que Aécio disse ao blog no último domingo, ao comentar a liderança de Dilma no Datafolha, que “a presença da presidente nas mídias de massa é avassaladora”. Na sua definição, há hoje “um monólogo”, não uma disputa real. Acha que a coisa tende a ficar menos desigual só partir de março de 2014.
Também no domingo, em artigo veiculado em vários jornais, Fernando Henrique Cardoso, grão-mestre do PSDB, também realçou a desigualdade da contenta. “A candidata oficial, pela posição que ocupa, tem cada ato multiplicado pelos meios de comunicação. Como o exercício do poder se confundiu, na prática, com a campanha eleitoral, entramos já em período de disputa.” Para complicar, anotou FHC, as oposições estão “berrando pouco”.
A expectativa de Aécio, compartilhada por Eduardo Campos, é a de que os eleitores que anseiam por mudanças prestarão mais atenção à oposição quando os fatos e a legislação eleitoral elevarem a taxa de holofotes dos contendores de Dilma. Segundo o Datafolha, 66% dos brasileiros preferem que o próximo presidente tome decisões mojoritariamente diferentes das que Dilma adotou.
Os antagonistas do PT atribuem mais importância a esse dado do que aos índices de intenção de voto: 47% para Dilma, contra 19% atribuídos a Aécio; e 11% a Campos. Os antipetistas recordam que faltam mais dez meses para a eleição. E invocam precedentes. Em 2009, nessa mesma fase do ano, o tucano José Serra liderava todas as pesquisas eleitorais.
Numa sondagem do Datafolha divulgada em 20 de dezembro de 2009, Serra aparecia com 37% das intenções de voto. Empurrada pelo prestígio de Lula, Dilma amealhava 23%. Vinham a seguir Ciro Gomes (PSB), com 13%; e Marina Silva (PV), com 8%.
Só dali a cinco meses, num Datafolha veiculado em 22 de maio de 2010, Dilma empataria com Serra. Ambos tinham nessa época 37%. Numa articulação com Eduardo Campos, presidente do PSB, Lula conseguira empurrar Ciro Gomes para fora do tabuleiro. Restava Marina Silva, com 12%.
Na semana anterior, o PT levara ao ar, em cadeia nacional de rádio e tevê, uma propaganda partidária de 10 minutos e várias inserções de 30 segundos. Dilma estrelava as peças ao lado de Lula, que a apresentava como herdeira de sua administração.
Decorridos quase três meses, veio à luz em 15 de agosto, o Datafolha que registrou pela primeira vez a ultrapassagem de Dilma sobre Serra. Deu-se num cenário em que a cobertura jornalística da eleição havia se intensificado. Os candidatos participavam de debates e entrevistas. Após uma estabilização que se prolongava desde maio, Dilma foi a 41%, contra 33% de Serra e 10% de Marina.
Nessa ocasião, a menos de dois meses da eleição, o brasileiro já soava mais convicto —72% dos entrevistados declaravam-se totalmente decididos. Num cenário de continuidade, 76% identificavam Dilma com Lula. A partir daí, ela cresceu mais, Serra perdeu gordura e Marina roçou a casa de 20% dos votos válidos, provocando o segundo turno em que a petista derrotaria o tucano.
O que há de diferente agora é o sentimento de mudança verbalizado por dois terços do eleitorado. Resta saber se Aécio e Campos terão o que dizer quando os refletores e os eleitores se dispuserem a ouvi-los com mais atenção.
Se a vontade de mudança sobreviver até meados de 2014, nada impede que o marketink do PT venda Dilma como ex-Dilma. De resto, é preciso levar em conta que Lula preserva a capacidade de influir no processo. Nos cenários em que o nome dele é testado, o padrinho de Dilma ainda prevalece no primeiro turno.
BLOG DO CÉSAR SANTOS

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